FACULDADE DE ARTES,
LETRAS E COMUNICAÇAO – FAALC
PROGRAMA DE
PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM ESTUDOS DE LINGUAGENS – PPGMEL
NÚCLEO DE ESTUDOS CULTURAIS COMPARADOS - NECC
IV
COLÓQUIO DO NECC: A HORA DA ESTRELA
CLARICE LISPECTOR (40 anos)
DIAS: 18, 19 & 20 DE OUTUBRO
DE 2017
LOCAL: ANFITEATRO DO CCHS
SEGUNDA CIRCULAR
ATENÇÃO:
Sai agora a SEGUNDA CIRCULAR com pouquíssimas alterações e mais com o objetivo
de manter informados a todos os supostos interessados em participar do evento.
(A hora da estrela faz 40 anos. Faz 40 anos que Clarice Lispector
morreu. Faz 40 anos que a mortífera Macabéa sobrevivia nos becos e vielas da
cidade maravilhosa Rio de Janeiro. Naquele contexto, a cidade e o país como um
todo viviam sob o regime da ditadura, repressão e censura. Corpos humanos
simplesmente desapareciam da noite para o dia. Outros, como o da miserável
nordestina Macabéa, perambulavam pelos cortiços, botecos e vielas imundas. Às vezes acompanhada pelo cantar de
um galo no morro. Sempre acompanhada e em meio ao barulho ensurdecedor dos
automóveis anunciando o progresso, o desenvolvimento, o crescimento exagerado da cidade.
Entre Geisel e golpes a política brasileira, para variar, vai bem, obrigada, e
até manda lembranças e beijinhos para o povo brasileiro. Macabéa continua em
movimento e ouvindo de quando em quando a Rádio Relógio tocar a música O
leãozinho, na voz inconfundível do jovem Caetano Veloso. Mas quarenta anos não
se passaram em vão. Muita coisa no país mudou para melhor. Talvez a própria literatura política da intelectual Clarice
Lispector tenha contribuído para isso. Uma coisa é certa: o Rio de Janeiro
continua lindo! O que continua feio é o que vem acontecendo neste seu contexto
de agora: trabalhadores de uma vida inteira têm sua vida ameaçada: sem salário, sem dignidade, sem segurança e sem poder fazer
nada! Os políticos locais comeram o direito/dinheiro
do povo! O que acontece na política do Rio ilustra as decisões políticas
tomadas no meio da madrugada, ou na calada da noite, em Brasília, na capital federal.
Assim, somos todos nós, trabalhadores brasileiros, macabéas/macabeus mortos,
cansados, desesperançados, sem futuro, sem dignidade, sem salário, sem comida,
representantes de nossa própria miséria. O Brasil não é longe dessa falta de
direito adquirido; antes, é o centro imperial desse vale tudo antipolítico.
Quarenta anos depois, fico imaginando
Macabéa nos dias atuais da cidade toda feita contra ela. Teria sido
assassinada, como acontecera com Mineirinho. Ou teria perambulado pelas ruas da
cidade maravilhosa, até cair exausta no chão, de fome, sede, sem trabalho, sem
dignidade, sem dindim para pagar água e luz, nem muito
menos para comprar um pingado num boteco qualquer de uma esquina qualquer de
uma cidade qualquer...)
Em meio a estes tempos
sombrios e TEMERosos da política brasileira de
2017, lembramos, talvez não por acaso, que o livro A hora da estrela, da intelectual Clarice Lispector, faz 40 anos de
sua publicação (1977). Não por acaso porque, ressalvadas as diferenças, o
contexto no qual a novela foi escrita também era repressivo, ditatorial e
sumariamente desalentador. Assim, valendo-se de sua arma mais poderosa, a linguagem
literária, e já talvez antecipando o que Bhabha viria a nos ensinar depois de
que narrar é narrar a nação, a intelectual
tratou, sem dó nem piedade, de uma realidade política pouco explorada ainda
pela narrativa literária brasileira. Apesar de sua participação na passeata dos
100 mil e de algumas crônicas de protestos, incluindo até mesmo alguns pequenos
textos considerados ficcionais como é o caso do conto “Mineirinho”, foi por
meio de seu compromisso com a linguagem que Clarice soube se antecipar e dar a
melhor resposta possível de como captar a realidade política daquele momento
histórico do país. Mesmo passados 40 anos de sua publicação, o livro A
hora da estrela traz e apresenta-nos um projeto intelectual arrojado
que, entre outras leituras, ajuda-nos a compreender melhor essa realidade
política brasileira que não nos cansa de
surpreender com suas atrocidades, gatunos e malas.
Além da homenagem prestada ao
livro, o NECC, ao propor a temática A
HORA DA ESTRELA CLARICE LISPECTOR, também presta homenagem aos 40 anos de
morte da escritora, ocorrida naquele início de dezembro escaldante de 1977.
Quarenta anos sem Clarice são
correlatos a quarenta anos com
Clarice, já que, em se tratando da crítica brasileira, e até mesmo dos estudos
feitos no exterior, essa crítica nacional não tem feito outra coisa nestes
últimos 40 anos senão elevar a escritora e sua obra ao mais alto patamar já
alcançado por uma intelectual mulher dentro do projeto que sustenta a
literatura brasileira.
Justificada e tornada pública a
proposta temática do IV COLÓQUIO DO NECC, passamos a algumas informais prévias
e gerais acerca da organização e participação no evento.
O CONVITE, inicialmente, é feito a todos os interessados, quer seja
como participantes, quer seja como apresentadores de papers. Visando a que todos os interessados possam efetivamente
participar, trazemos algumas informações necessárias:
1- É condição sine qua non que todo trabalho trate da obra ou vida da escritora, mencione
textualmente sua obra ou aluda diretamente à produção intelectual da escritora.
2- Acadêmico de Graduação pode participar com
apresentação de trabalho, desde que tenha algum tipo de bolsa científica e o
trabalho seja em coautoria com o professor responsável e respectivo orientador
do acadêmico;
3- Pós-graduando, nível mestrado e doutorado,
pode participar com apresentação de trabalho, desde que em coautoria com seu
respectivo orientador de pesquisa;
4- Professores em geral, de preferência que
tenham defendido trabalhos acadêmicos sobre a obra de Clarice Lispector;
5- Professores em geral, cujo trabalho a ser
apresentado seja sobre Clarice Lispector, ou aluda à sua obra por meio de uma
perspectiva comparatista, impreterivelmente;
6- Pesquisadores em geral da obra da
Escritora;
7- Interessados em geral cuja proposta passe
diretamente pela obra, vida ou fortuna crítica da escritora.
8- Participantes em geral, sem apresentação
de trabalho, terão apenas que se inscrever no momento oportuno, por meio de
ficha a ser disponibilizada no momento certo.
ATENÇÃO: a TERCEIRA E ÚLTIMA
CIRCULAR a sair em breve está condicionada à aprovação institucional do
projeto que foi submetido como projeto de extensão. Desse modo, assim que obtivermos tal
resposta, liberaremos a circular trazendo FICHA DE INSCRIÇÃO, MODO
DE INSCRIÇÃO, VALOR
DA INSCRIÇÃO, NORMAS BIBLIOGRÁFICAS DO RESUMO e DO TEXTO FINAL.
[...] o que me provoca e inspira para a vida:
estrela acesa
ao entardecer.
Um sopro de vida.
ATENCIOSAMENTE,
Prof. Dr. Edgar Cézar Nolasco
COODENADOR DO NECC E DO EVENTO